quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Minha até à morte
Uma história incrivelmente fascinaste e cativante, uma autentica mistura de sentimentos, um enredo onde o medo, a paixão, a violência, o ódio, o amor, o desespero, o suspense e a admiração se entrelaçam de tal maneira que nos envolvem completamente com a historia e com o mundo das personagem.
É um livro muito empolgante, acho que isto se deve principalmente
ao incrível realismo da história, aos pormenores das cenas, a trágica mas fascinante historia de vida de cada personagem e a maneira como a autora se infiltra na mente de um psicopata e desenvolve a sua lógica. É uma historia que chega a ser perturbante, visto que nós sabemos que o tipo de pessoas como Jim, um psicopata, existe mesmo não é só ficção, e o que mais assusta, para além da enorme crueldade dos seus crimes, é o calculismo, a frieza e a aparente normalidade, com que Jim os pratica, e isso torna-se mais arrepiante quando pensamos que a autora se inspirou em casos reais.

Entrevista a Lisa Gardner


Círculo de Leitores online - O que a atrai, enquanto escritora, ao tema do crime?
Lisa Gardner - Fascina-me a mente do criminoso. Ted Bundy, o sociopata norte-americano que perseguiu e assassinou, nos anos 70, dezenas de mulheres, ao mesmo tempo que matava com requintes de crueldade, trabalhava como voluntário numa linha de apoio a suicidas. Há algo de horripilante na sua história, algo de aterrador nesse reconhecer de que o simpático vizinho do lado por não ser afinal tão simpático. O mal nem sempre é óbvio e visível. Sempre que me proponho escrever um romance, tento, no fundo, mergulhar nessa escuridão, tento chegar às perguntas que mais nos assombram: como pode alguém ter feito isto? Porque acontecem coisas horríveis? Onde podemos afinal sentir-nos seguros?

CLOnline – Começou contudo por escrever histórias de amor. Como surgiu a opção pelo suspense?
LG -Depois de ter editado treze romances surgiu uma ideia para um livro que não se enquadrava no género. Ao princípio achei que a mudança não seria radical. Escrever é escrever, pensava. A verdade é que não tinha noção de como era difícil trabalhar o enredo e as personagens de um livro de suspense. Para que «Minha até à Morte» saísse exactamente como queria tive de fazer várias revisões ao texto. O esforço acabou contudo por ser compensado e é hoje considerado um clássico.

Sobreviventes.Marcas e cicatrizes. O carácter dos fortes.CLonline - Em «Minha até à Morte» as personagens aliam fragilidade e força. São heróis ou sobreviventes?
LG -Quase todos os meus protagonistas são sobreviventes. Para ser franca, não me interessam as pessoas que nascem inteligentes, destemidas ou corajosas. Gosto do carácter daqueles a quem a vida vai deixando marcas e cicatrizes. J.T., Tess e Marion foram vítimas de violência. O que os distingue dos demais é a determinação com que tentam mudar a sua vida - a força com que buscam reencontrar o controlo. E eu acredito que da mesma forma que as personagens aprendem, também o leitor aprende lendo sobre elas.

CLonline - Como chega às personagens ?
LG -Atraem-me as personagens imperfeitas, porém determinadas. Quase todas as mulheres dos meus livros têm, por exemplo, fraquezas – lutam pelo amor, lutam pela vida. Mesmo em baixo, aparentemente derrotadas, resistem até ao fim. Suponho que os leitores gostam desse tipo de capacidade de luta.

CLonline - No caso de Jim, o psicopata em «Minha até à Morte», como foi entrar na sua mente?
LG -Quase todos meus livros partem de um crime real. O Jim de «Minha até à Morte» é inspirado em Ted Bundy. Tendo em conta que há muita informação sobre ele (aconselho, a propósito, a leitura de «The Stranger Beside Me» de Ann Rule), não foi difícil penetrar a sua lógica. Existe, confesso, algo de libertador em poder escrever sobre uma pessoa tão implacável e cruel como Jim/ Ted. Vivemos segundo regras e limites a que quer Ted, quer a minha personagem Jim, não obedecem.